A noite, as ruas ficam desertas
porque a Internete chama para casa.
Mas ao contrário das antigas lareiras,
à volta das quais as famílias passavam o serão,
a Internete não une nem reúne a familia.
É anti-gregária: a familia é um por um e não um todo
e do espaço de partilha faz espaço de solidão.
Assim, estando todos em casa, cada um está sozinho,
partilhando a solidão real com companhia virtual.
Estranhos são os da casa.
Aqui é onde me encontro com as palavras. Tomo-as como diamantes em bruto e faço-me lapidador. Mas não é fácil percorrer cada palavra, até aos confins do sentido. Tão depressa lhe descubro nova face, logo a palavra se transmuta e me confunde, impondo-me um esforço imparável de busca do lugar único de cada uma das faces.
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010
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